A tecnologia x lixo

Por Shirley Rocha                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        
Observando as maravilhas criadas a partir da tecnologia podemos perguntar: como terminará tudo isso? A indagação parte do olhar mais atento que se estende pelas escolas, indústrias, hospitais, universidades e nossa própria casa.

A ânsia por mais descobrimentos tecnológicos não diminui de forma alguma.  Um dos principais inconvenientes é que chega a “embolar” nossos sentidos. E aí o que fazer se você não se enquadra nesse “mundaréu” de informações e apenas pretende transitar sem problemas entre eles?

Cada dia chegam alterações, as manutenções, um novo modelo, o mais… seja lá o que for. Bem não se sabe uma coisa, já apresentam outra. Louvo as inovações tecnológicas, se bem que algumas delas bem que podiam ficar sem aparecer, como a bomba atômica…
Entretanto, não se pode negar tudo de bom que nos chegam encurtando distâncias, abrindo caminhos, facilitando o nosso dia a dia. E o que acho mais louvável é aquilo que é destinado ao setor da ciência médica, quando equipamentos auxiliam os médicos nos diagnósticos, nas operações. Mas não deixaram os exames mais baratos, nem o atendimento melhor, infelizmente. Fazer conta está muito fácil. Calculadoras no bolso, no caixa, no celular, no chaveiro, no computador. Assistimos TV até dentro do carro, lemos recados enviados a milhares de quilômetros, conversamos cara a cara, pelo computador, com pessoas dentro de suas casas em outro país. E tanta coisa mais!

O ser humano tem a inteligência e Deus dá essa condição de exploração e evolução, mas ainda não se procura fazer com que essas tecnologias e materiais, ajudem na harmonia das civilizações. A contrapartida para impropriedade é muito grande. Também me preocupa como acabar com o lixo desses materiais que não são recicláveis. Daqui a 20 anos quantas montanhas estarão formadas pelos lixões de carcaças desses equipamentos indestrutíveis?

Existe a criação, se trabalha e se ganha com esses equipamentos. Mas não se interessam em estudar como vão findar essas parafernálias (assim chamadas depois que as descartamos).

A tv, o microondas, o computador, o celular, as pilhas, as baterias, as caixas radioativas, os rejeitos de líquidos químicos, venenosos, poluidores… Aonde colocar? Como se desfazer sem deixar seqüelas para os demais e as outras gerações? Minha admiração bate com essa preocupação. Só para exemplificar: tenho desde a última Copa do Mundo-2010, uma latinha que após ficar geladinha foi aberta. Com surpresa, saiu de dentro uma musiquinha na voz de um homem: “ó, lé, lê, ó, lá, lá, quem não tem…/não vai ter onde sentar/ ô, lê, ô, lá/ fica de garçom até o jogo terminar/ dá-lhe… Não havia liquido nenhum dentro. Não quis desfazer-me de imediato. Mantive essa latinha numa prateleira acima da máquina de lavar. Pois não é que desde então, diariamente ela tocava às 6 horas? É interessante – se o dia amanhece mais frio, mais cedo o homem canta. Há dias quentes que ele só canta lá pra sete horas. Dá para imaginar qual a tecnologia usada ali? Qual a ferramenta? Quem teria construído tal peça? Você não se admira de um trabalho desses, feito para uma brincadeira de futebol durar tanto e trabalhar muito bem? Jogada no lixo tem algum prejuízo para o meio ambiente? Na latinha não há nenhuma observação a esse respeito. Você sabe alguma coisa sobre isso? Uma latinha com liquido para quem informar.

Campus Party 2012

O Campus Party 2012 acabou. Confesso que quando comecei a ler sobre o que aconteceu esperava encontrar muita inovação tecnológica, mas encontrei mais informações sobre empreendedorismo na web e previsões do que será o futuro da internet. Das duas uma, ou a imprensa não divulgou o que me interessava ou faltaram novidades. Fico com a segunda opção!

Mas claro que disseram coisas que terão um impacto na internet. Confira abaixo o que considerei mais interessante.

O Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse em entrevista que o ministério estuda um modelo de uso da internet, em que empresas e instituições subsidiariam o acesso de seus clientes. Ou seja, os sites que os usuários visitariam, como bancos, lojas virtuais. é que custeariam a conexão.

O pesquisador Sugata Mitra, do Instituto de Tecnologia de Massachussets, defendeu o uso de tablets nas salas de aula. Já existem várias iniciativas de uso de tecnologia em classe, inclusive um projeto do governo federal, o UCA – Um Computador por Aluno. Não é tanta novidade assim, mas ter um pesquisador disseminando o assunto é muito importante!

Para mim a grande novidade apresentada no Campus ficou por conta de Sebastian Alegría Klocker, um adolescente chileno de 15 anos que desenvolveu um sistema caseiro que detecta terremotos com antecedência e pode ajudar as pessoas a se protegerem nesses tipos de catástrofes.

Já o Wikipedia revelou que está em busca de um diretor para o Brasil. Apesar de não ter pretensão de abrir um escritório por aqui, reconhece o potencial brasileiro e sabe que os usuários brasileiros consomem wikipedia lendo, mas não incluindo e editando textos. A tarefa do contratado é mudar isso, tornar-nos mais participativos.

O IPV6 esteve na boca de palestrantes e campuseiros. A tecnologia é imprescindível para a continuidade do crescimento e da evolução da internet e traz consigo novos desafios e possibilidades na área de segurança.

Saiba tudo o que rolou no Campus Party acessando o site do evento, o especial da Revista Info e o vídeo do Olhar Digital.

Educação tecnológica, colaboração e software livre

(*)Paulo Pastore

Que o Software Livre traz inúmeros benefícios aos governos que os adotam é fato bastante conhecido: independência de fornecedores, segurança, economia aos cofres públicos, domínio da tecnologia, geração de empregos locais, entre outros.

No que tange a educação tecnológica, o Software Livre tem ainda mais agregar. O código-fonte aberto permite aos técnicos/estudantes determinarem o quanto eles querem conhecer do software. O bit é o limite. Essa liberdade permite a formação de verdadeiros especialistas, o que não ocorre com as tecnologias proprietárias, onde o técnico fica muitas vezes, por imposições dos fabricantes, limitado ao papel de configurador da ferramenta.

Outro aprendizado importante que vem do mundo livre são as redes de colaboração. Hoje existem algumas iniciativas nesse sentido no governo, mas ainda é necessário consolidar a cultura colaborativa. As pessoas precisam internalizar o compartilhamento do conhecimento e a colaboração como parte de sua rotina. Para isso, é preciso investir em melhores ambientes tecnológicos (redes sociais, wukis, listas, etc.) mas principalmente trazer o espírito de compartilhamento que vigora nas comunidades para o Estado.

Com foco nestes dois pilares, capacitação e colaboração, o Comitê Técnico de Implementação do Software Livre (CISL) tem investido em realizar cursos presenciais e palestras para técnicos do governo e sociedade. Ao longo dos últimos dosi anos, foram realizados mais de 15 cursos e 35 palestras técnicas sobre os mais diversos software Livres, abordando desde conteúdos para iniciantes, como GNU/Linus Básico e LibreOffice até conteúdos mais avançados sobre Pentaho, Bácula ou Expresso.

Os cursos e palestras técnicas são realizadas a partir de parcerias entre os participantes do Comitê. Uma instituição disponibiliza o instrutor, a outra a sala de aula e a Secretaria do CISL faz a organização. Tudo no melhor espírito colaborativo. Essas capacitações nos diversos Software Livres desenvolvidos ou utilizados pelo Governo permitem que, tanto os órgãos ganhem com funcionários mais qualificados quanto o Software Livre como política de Governo.

Software Livre é mais do que disponibilizar código sob uma licença GPL.É aprender a construir conhecimento juntos.o ser humano é essencialmente colaborativo.Basta que lhe sejam dados os meios para compartilhar.Faça parte desta rede de colaboração: entre em contato com o CISL (www.softwarelivre.gov.br).

(*)Coordenação da Escola de Tecnologia da Universidade Coorporativa Serpro. Texto retirado da Revista Tema, nº.208