Campus Party 2012

O Campus Party 2012 acabou. Confesso que quando comecei a ler sobre o que aconteceu esperava encontrar muita inovação tecnológica, mas encontrei mais informações sobre empreendedorismo na web e previsões do que será o futuro da internet. Das duas uma, ou a imprensa não divulgou o que me interessava ou faltaram novidades. Fico com a segunda opção!

Mas claro que disseram coisas que terão um impacto na internet. Confira abaixo o que considerei mais interessante.

O Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse em entrevista que o ministério estuda um modelo de uso da internet, em que empresas e instituições subsidiariam o acesso de seus clientes. Ou seja, os sites que os usuários visitariam, como bancos, lojas virtuais. é que custeariam a conexão.

O pesquisador Sugata Mitra, do Instituto de Tecnologia de Massachussets, defendeu o uso de tablets nas salas de aula. Já existem várias iniciativas de uso de tecnologia em classe, inclusive um projeto do governo federal, o UCA – Um Computador por Aluno. Não é tanta novidade assim, mas ter um pesquisador disseminando o assunto é muito importante!

Para mim a grande novidade apresentada no Campus ficou por conta de Sebastian Alegría Klocker, um adolescente chileno de 15 anos que desenvolveu um sistema caseiro que detecta terremotos com antecedência e pode ajudar as pessoas a se protegerem nesses tipos de catástrofes.

Já o Wikipedia revelou que está em busca de um diretor para o Brasil. Apesar de não ter pretensão de abrir um escritório por aqui, reconhece o potencial brasileiro e sabe que os usuários brasileiros consomem wikipedia lendo, mas não incluindo e editando textos. A tarefa do contratado é mudar isso, tornar-nos mais participativos.

O IPV6 esteve na boca de palestrantes e campuseiros. A tecnologia é imprescindível para a continuidade do crescimento e da evolução da internet e traz consigo novos desafios e possibilidades na área de segurança.

Saiba tudo o que rolou no Campus Party acessando o site do evento, o especial da Revista Info e o vídeo do Olhar Digital.

Educação tecnológica, colaboração e software livre

(*)Paulo Pastore

Que o Software Livre traz inúmeros benefícios aos governos que os adotam é fato bastante conhecido: independência de fornecedores, segurança, economia aos cofres públicos, domínio da tecnologia, geração de empregos locais, entre outros.

No que tange a educação tecnológica, o Software Livre tem ainda mais agregar. O código-fonte aberto permite aos técnicos/estudantes determinarem o quanto eles querem conhecer do software. O bit é o limite. Essa liberdade permite a formação de verdadeiros especialistas, o que não ocorre com as tecnologias proprietárias, onde o técnico fica muitas vezes, por imposições dos fabricantes, limitado ao papel de configurador da ferramenta.

Outro aprendizado importante que vem do mundo livre são as redes de colaboração. Hoje existem algumas iniciativas nesse sentido no governo, mas ainda é necessário consolidar a cultura colaborativa. As pessoas precisam internalizar o compartilhamento do conhecimento e a colaboração como parte de sua rotina. Para isso, é preciso investir em melhores ambientes tecnológicos (redes sociais, wukis, listas, etc.) mas principalmente trazer o espírito de compartilhamento que vigora nas comunidades para o Estado.

Com foco nestes dois pilares, capacitação e colaboração, o Comitê Técnico de Implementação do Software Livre (CISL) tem investido em realizar cursos presenciais e palestras para técnicos do governo e sociedade. Ao longo dos últimos dosi anos, foram realizados mais de 15 cursos e 35 palestras técnicas sobre os mais diversos software Livres, abordando desde conteúdos para iniciantes, como GNU/Linus Básico e LibreOffice até conteúdos mais avançados sobre Pentaho, Bácula ou Expresso.

Os cursos e palestras técnicas são realizadas a partir de parcerias entre os participantes do Comitê. Uma instituição disponibiliza o instrutor, a outra a sala de aula e a Secretaria do CISL faz a organização. Tudo no melhor espírito colaborativo. Essas capacitações nos diversos Software Livres desenvolvidos ou utilizados pelo Governo permitem que, tanto os órgãos ganhem com funcionários mais qualificados quanto o Software Livre como política de Governo.

Software Livre é mais do que disponibilizar código sob uma licença GPL.É aprender a construir conhecimento juntos.o ser humano é essencialmente colaborativo.Basta que lhe sejam dados os meios para compartilhar.Faça parte desta rede de colaboração: entre em contato com o CISL (www.softwarelivre.gov.br).

(*)Coordenação da Escola de Tecnologia da Universidade Coorporativa Serpro. Texto retirado da Revista Tema, nº.208 

O conhecimento na época da web

(*) Sueli Bacelar

A internet exerce um papel importante na distribuição de informação e conhecimento, no entanto nem tudo são flores nessa relação. Se discute a qualidade do conteúdo disponível, a autoria dos textos, entre outras coisas. Mas sabendo escolher, muito se pode aprender.

Muitos especialistas em educação discutem e opinam sobre o que deve ser usado como fonte de pesquisa na internet. A web é um canal onde muitos estudiosos, nem sempre pesquisadores, divulgam suas opiniões, teorias, artigos. Mas será que todo esse conteúdo é de qualidade? É importante destacar que muitas fontes eternizadas off-line, como encicoplédias, jornais e revistas estão no ambiente digital também. Muitos professores universitários já têm seus blogs e/ou sites pessoais. Mas é importante sempre confirmar a titularidade do autor. E isso é simples, faça uma pesquisa nos sites de buscas com o nome do autor do blog e veja tudo que diz a respeito dele. Isso já é uma boa referência. Muitos desses profissionais possuem curriculo lattes, onde estão informadas suas produções. Então, percebemos que não há só lixo, tem muito conteúdo de qualidade – é só estar disposto a encontrá-lo.

A internet possibilitou a produção de e-books, livros digitais,  uma vez que não há mais a obrigatoriedade da publicação e impressão no formato tradicional através de editoras. Muitos deles são somente digitais, não chegando a ser impressos. Em paralelo a isso, também surgiu o modelo “Creative Commons” que são licenças flexíveis para obras intelectuais, usado para livros digitais gratuitos garantirem seu direito autoral. Os e-books, também, podem ter registro ISBN -  International Standard Book Number. Existem, inclusive, os e-readers, que são tablets produzidos exclusivamente para a leitura de publicações digitais.

Recentemente a Amazon, livraria digital americana, lançou sua biblioteca por assinatura para membros do Amazon Prime, onde os assinantes poderão escolher entre milhares de títulos para ler de graça no Kindle – tablet produzido pela empresa somente para ler ebooks, incluindo mais de 100 best-sellers atuais e antigos do New York Times, com limite de um livro por mês.

O Google possui três produtos voltados diretamente à disseminação do conhecimento, são eles: Google Reader, Google Academics e Google Books. O Google Reader é um concentrador de conteúdo de blogs, enquanto que o Academics disponibiliza artigos científicos, monografia e afins e o Books disponibiliza livros, em parte ou completos. Sendo todos uma excelente fonte de pesquisa.

É possível localizar nas redes pessoais perfis que costumam disseminar conhecimento / informação sobre um determinado assunto, como também formadores de opinião. E então, se vincular a eles para se manter informado sobre o assunto que se deseja acompanhar.

Ao mesmo tempo em que se ganha na quantidade e facilidade da informação disponível, se perde na elaboração de trabalhos. Uma vez que o uso do computador trouxe a funcionalidade ‘copiar / colar’, que é vastamente usada por muitos como uma forma de produzir textos facilmente, sem nem mesmo realizar a leitura do que está sendo copiado, deixando de lado a arte de fazer resumos e de interpretar, que é onde se encontra o grande valor dos estudos.

Não é a toa que a internet é conhecida como o grande portal da informação. Através dela é possível quebras as barreiras das livrarias e bibliotecas, pesquisando o que se deseja através de palavras, frases; não buscando somente por autores e suas obras. Mãos à obra, o conteúdo está ao seu alcance!

(*) Sueli Bacelar é formada em Processamento de Dados, pós-graduada em Ciência da Computação é gerente de Governança e Inovação da Emgetis e estudiosa dos assuntos de internet.
Reprodução do Artigo publicado no Jornal Cinform, edição 1496, 12 a 18 de dezembro de 2011